sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DILACERADO

Polliana Bianchini

Vazio e às vezes cheio
De muito ou de nada
Pendurado, por um fio
E quando mais vazio
Foi ao chão e chorou
entre a multidão.
Pessoas o chutaram
sem consolo e sem perdão.
Sua voz não mais saía
Na sua alma se prendia
E o que pensava não dizia.
Convivia com seus medos
Enfrentava pesadelos
enquanto dormia.
Perdido no escuro
Não gostava de si mesmo
Estava nulo
Já não se reconhecia.
O caminhar era lento e sem direção
A luz não o tocava
Ele não via o caminho
Continuava sozinho
e não se encontrava.

Voltou a vagar pelas ruas
Vendo só as outras vidas
Esquecendo-se da sua.
No meio de tanta gente
Tropeçou na solidão
que crescia à sua frente.
E sua voz, que antes não saíra,
agora grita de aflição
Como se essa fosse a maneira
de abrandar a sensação
que instalou-se a cada dia
e destruiu seu coração.

Nenhum comentário:

Postar um comentário